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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Miles Davis - Porgy & Bess - 1958
Mais ou menos na mesma época em que Ella Fitzgerald e Louis Armstrong interpretaram Porgy & Bess (veja o post com esse álbum aqui) e a ópera foi para o cinema, também Miles Davis bebeu das canções dos irmãos Gershwin, produzindo um disco imprescindível para qualquer acervo. Nesse período, Miles explorava improvisações modais - diferentes do que era feito no bebop, em que havia uma grande quantidade de acordes. E o responsável pelos arranjos que se valeram das composições modais nesse Porgy & Bess é Gil Evans, em seu segundo trabalho com Miles, logo depois de Miles Ahead. Apesar dos temas serem os mesmos, é notável o contraste entre as gravações do trompetista e da dupla Ella e Louis: dispensando o caráter mais teatral trazido pela primeira dama do jazz e seu parceiro (e também pela grande orquestra que os acompanha), a versão de Miles e Evans tem a simplicidade suficiente para tirar o fôlego dos ouvintes - talvez o melhor exemplo seja Summertime, que já começa com o trompete tocando a melodia, sem introduções ou floreios. Mas descrever as particularidades de Miles é tarefa ingrata, não há o que prepare a experiência de ouvir Porgy & Bess.
Porgy & Bess:
1. The Buzzard Song (4:06)
2. Bess, You Is My Woman Now (5:11)
3. Gone (3:39)
4. Gone, Gone, Gone (2:03)
5. Summertime (3:19)
6. Bess, Oh Where's My Bess? (4:28)
7. Prayer (Oh Doctor Jesus) (4:40)
8. Fisherman, Strawberry and Devil Crab (4:06)
9. My Man's Gone Now (6:13)
10. It Ain't Necessarily So (4:23)
11. Here Comes De Honey Man (1:12)
12. There's a Boat That's Leaving Soon for New York (3:23)
sábado, 26 de março de 2011
Ornette Coleman - Tomorrow Is the Question! - 1959
Há pouco tempo atrás, o gramofone dourado do Grammy Awards foi para a mão de um dos músicos americanos mais geniais e de reconhecimento tardio do jazz. Ornette Coleman, que se apresentou em São Paulo no ano passado, não estava entre as preferências do público quando lançou seus primeiros discos, no final da década de 1950. Mas foi a partir do lançamento de seu álbum Free Jazz: A Collective Improvisation (1960) que o termo homônimo passou a classificar uma nova vertente do jazz, relacionada às inovações do saxofonista, por vezes chamadas de "não ortodoxas". O tratamento cheio de dedos para descrever Ornette não é à toa: comparado ao bebop, o improviso e a liberdade do músico pareciam não ter precedentes, e ele foi bastaste criticado durante a carreira. Em Tomorrow Is the Question!, por exemplo, Ornette colocou o piano de lado e tocou apenas com o trompetista Don Cherry, o baterista Shelly Manne e os baixistas Red Mitchell e Percy Heath. Era o segundo álbum, logo depois de Something Else!!!!: The Music of Ornette Coleman, e todas as faixas foram compostas por ele - assim como aconteceu ao longo dos anos, com pouquíssimas exceções. Também por esse motivo a alcunha free jazz o incomodou: havia uma boa dose de composição por trás das músicas, ao contrário do que o termo sugere de pronto. Ornette procurava um som que viesse de dentro dele, como argumenta Shelly Manne: "He sounds like a person crying... or a person laughing... when he plays" (retirado de texto na capa do disco, por Nat Hentoff), como acontece em Tears Inside, que para Ornette é uma espécie de sentimento que a expressão humana não daria conta, ou Rejoicing, cujo título se deve à satisfação dos músicos ao tocá-la. Há outros títulos significativos, como Lorraine que homenageia a pianista Lorraine Geller, recém falecida na época, e Turnaround ("because the blues is a change of feeling which goes from one thing to another"). Do mesmo modo, nada poderia dizer mais sobre o disco do que o título Tomorrow Is the Question!, pela inegável preocupação de Ornette com o desenvolvimento de sua música, e a partir daí seu trabalho ficou cada vez melhor.
Tomorrow Is the Question!:
1. Tomorrow Is the Question! (3:12)
2. Tears Inside (5:03)
3. Mind and Time (3:10)
4. Compassion (4:39)
5. Giggin (3:21)
6. Rejoicing (4:03)
7. Lorraine (5:57)
8. Turnaround (7:57)
9. Endless (5:19)
Tomorrow Is the Question!:
1. Tomorrow Is the Question! (3:12)
2. Tears Inside (5:03)
3. Mind and Time (3:10)
4. Compassion (4:39)
5. Giggin (3:21)
6. Rejoicing (4:03)
7. Lorraine (5:57)
8. Turnaround (7:57)
9. Endless (5:19)
quinta-feira, 17 de março de 2011
Chet Baker - My Funny Valentine - 1954
Apesar do quarteto com Gerry Mulligan não ter durado muito, foi com essa banda que Chet Baker, então com vinte e poucos anos, tocou pela primeira vez a famosa canção de Richard Rogers e Lorenz Hart, My Funny Valentine. A composição é de 1937, e além de ser gravada por Chet nos anos 1950, passou pela voz de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e outros - até hoje, é parte do repertório de muitos músicos. E essa versão de Chet não deixa a desejar: My Funny Valentine abre o disco com o solo melodioso e demorado do trompete, e só depois entra a letra romântica, com um típico discurso americano do eu-lírico apaixonado que parece seguir toda a sequência. Contudo, graças à interpretação de Chet e às músicas escolhidas, o conjunto não cai na armadilha da trilha sonora passiva, limitada a composições ingênuas ou simples, uma vez que o álbum inteiro é pontuado por canções de alta qualidade como Someone To Watch Over Me, dos irmãos Gershwin. Mas como a discografia do trompetista é extensa, as músicas provavelmente foram gravadas em momentos um pouco diferentes, pois nesse começo de carreira Chet tocava com várias formações, como o quarteto de Stan Getz ou a banda em que Charlie Parker participava - e um dos músicos mais presentes nessas bandas é o pianista Russ Freeman. Nos anos seguintes, Chet passou por maus bocados, mas continuou tocando até o acidente duvidoso que causou sua morte (as agruras do trompetista não passaram despercebidas, e renderam um documentário que pegou emprestado o título da nona faixa, Let's Get Lost).
My Funny Valentine:
1. My Funny Valentine (5:16)
2. Someone To Watch Over Me (3:12)
3. Moonlight Becomes You (3:25)
4. This Is Always (3:35)
5. I'm Glad There Is You (3:12)
6. Time After Time (2:43)
7. Sweet Lorraine (3:06)
8. It's Always You (3:34)
9. Let's Get Lost (2:52)
10. Moon Love (3:16)
11. Like Someone In Love (2:25)
12. I've Never Been In Love Before (4:27)
13. Isn't It Romantic? (4:23)
14. I Fall In Love Too Easily (3:19)
My Funny Valentine:
1. My Funny Valentine (5:16)
2. Someone To Watch Over Me (3:12)
3. Moonlight Becomes You (3:25)
4. This Is Always (3:35)
5. I'm Glad There Is You (3:12)
6. Time After Time (2:43)
7. Sweet Lorraine (3:06)
8. It's Always You (3:34)
9. Let's Get Lost (2:52)
10. Moon Love (3:16)
11. Like Someone In Love (2:25)
12. I've Never Been In Love Before (4:27)
13. Isn't It Romantic? (4:23)
14. I Fall In Love Too Easily (3:19)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Chet Baker - Chet Baker Plays The Best of Lerner & Loewe - 1959
A partir dos anos 1940, Alan Jay Lerner e Fritz Loewe compuseram bem sucedidos musicais da Broadway, o que rendeu a algumas canções a atenção de artistas como Nat King Cole, Ella Fitzgerald e o músico da vez, Chet Baker. Na época em que o disco em homenagem a Lerner e Loewe foi lançado, o trompetista americano já tinha seu espaço no meio musical garantido e todos os dentes no lugar (o que não durou até meados dos anos 1960, quando Chet se envolveu em um infeliz episódio que lhe custou o uso de dentaduras). Mas em 1959 a temporada de prisões por causa de drogas ainda estava no início, e Chet já tinha sido apresentado a Charlie Parker, a Hollywood e ao Quarteto de Gerry Mulligan, embora nesse disco conte com outros parceiros, como Bill Evans. Isso porque, desde a prisão de Mulligan, Chet formou diversos grupos, não só tocando trompete mas também cantando. No entanto, nessa seleção - oriundas de My Fair Lady, Brigadoon, entre outras peças - Chet privilegia o trompete, e as interpretações são de primeira linha: ao contrário de My Funny Valentine, um de seus maiores sucessos, não há nesse disco a voz inconfundível de Chet Baker para letras românticas, mas ainda assim as músicas de Lerner e Loewe carregam certa dramaticidade. Entre elas, The Heather On The Hill se destaca, pela delicadeza da melodia conduzida por Chet.
Chet Baker Plays The Best of Lerner & Loewe:
1. I've Grown Accustomed To Your Face (4:13)
2. I Could Have Danced All Night (3:39)
3. The Heather On The Hill (5:03)
4. On The Street Where You Live (8:35)
5. Almost Like Being In Love (4:50)
6. Thank Heaven For Little Girls (4:33)
7. I Talk To The Trees (5:49)
8. Show Me (6:29)
Chet Baker Plays The Best of Lerner & Loewe:
1. I've Grown Accustomed To Your Face (4:13)
2. I Could Have Danced All Night (3:39)
3. The Heather On The Hill (5:03)
4. On The Street Where You Live (8:35)
5. Almost Like Being In Love (4:50)
6. Thank Heaven For Little Girls (4:33)
7. I Talk To The Trees (5:49)
8. Show Me (6:29)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Porgy & Bess - 1957
A bem sucedida parceria de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong rendeu uma série de álbuns, a maioria com canções de vários compositores juntos. Não é o caso de Porgy & Bess, gravado pela Verve em 1957. O disco contém as canções da ópera homônima de George e Ira Gershwin e DuBose Heyward, encenada pela primeira vez mais de vinte anos antes da interpretação de Ella e Louis. A peça consistia na história de um mendigo da Carolina do Sul, Porgy, que lutava para defender Bess do namorado violento e um traficante de drogas. Nesse contexto, Gershwin compôs canções que são constantemente regravadas, como “Summertime”, que na peça aparece como canção de ninar que uma personagem canta para seu filho no início da primeira cena. Acompanhadas por orquestra e com arranjo de Russell Garcia, as músicas praticamente seguem a ordem original da ópera, dando a impressão de que Ella e Louis são de fato todas as personagens de Porgy & Bess, ou melhor, que só há na peça o casal encarnado pelos cantores (como na décima segunda faixa, que mais parece um excerto musicado de encenações). Embora o disco tenha uma estrutura que sugira ser escutado de uma vez e na sequência correta das faixas, músicas como “It Ain’t Necessarily So” e “I Got Plenty O’Nuttin” – sem mencionar “Summertime” – se desprendem do caráter de trilha sonora do disco, enquanto “Buzzard Song”, por exemplo, é bastante teatral. E para compor as canções, além de resvalar no jazz e na música africana, há hipóteses de Gershwin ter utilizado elementos de preces judaicas nas melodias. Mas Ella e Louis não foram os únicos a homenagear a trilha dos irmãos Gershwin: Miles Davis e Gil Evans também o fizeram, mais ou menos na mesma época, quando Porgy & Bess foi para o cinema.
Porgy & Bess:
1. Overture (10:52)
2. Summertime (4:58)
3. I Wants To Stay Here (4:38)
4. My Man’s Gone Now (4:02)
5. I Got Plenty O’Nuttin’ (3:52)
6. Buzzard Song (2:58)
7. Bess, You Is My Woman Now (5:28)
8. It Ain’t Necessarily So (6:34)
9. What You Want Wid Bess? (1:59)
10. A Woman Is A Sometime Thing (4:47)
11. Oh, Doctor Jesus (2:00)
12. Medley: Here Come De Honey Man/Crab man/Oh Dey's So Fresh And Fine (Strawberry Woman) (3:29)
13. There's A Boat That Leavin' Soon For New York (4:54)
14. Bess, Oh Where’s My Bess? (3:36)
15. Oh Lawd, I’m On My Way (2:57)
Porgy & Bess:
1. Overture (10:52)
2. Summertime (4:58)
3. I Wants To Stay Here (4:38)
4. My Man’s Gone Now (4:02)
5. I Got Plenty O’Nuttin’ (3:52)
6. Buzzard Song (2:58)
7. Bess, You Is My Woman Now (5:28)
8. It Ain’t Necessarily So (6:34)
9. What You Want Wid Bess? (1:59)
10. A Woman Is A Sometime Thing (4:47)
11. Oh, Doctor Jesus (2:00)
12. Medley: Here Come De Honey Man/Crab man/Oh Dey's So Fresh And Fine (Strawberry Woman) (3:29)
13. There's A Boat That Leavin' Soon For New York (4:54)
14. Bess, Oh Where’s My Bess? (3:36)
15. Oh Lawd, I’m On My Way (2:57)
Roy Eldridge and his Central Plaza Dixielanders - Swing Goes Dixie - 1956
Um dos músicos que influenciou Dizzy Gillespie foi Roy Eldridge, trompetista que fez sucesso nos Estados Unidos nos anos 1930. Depois de participar da orquestra de Gene Krupa e do grupo de Artie Shaw, Eldridge passou a contar com seus próprios músicos. Swing Goes Dixie começa com a bateria de Jo Jones, seguida da entrada dos outros instrumentos da banda, dando espaço para os solos de clarinete (Eddie Barefield), piano (Dick Wellstood), trombone (Benny Morton) e, finalmente, para o trompete de Eldridge, retornando depois para Jo Jones – para completar os Central Plaza Dixielanders, há Walter Page no baixo. Assim como acontece em “That’s a-plenty”, as outras músicas do disco seguem a mesma linha, e a maneira de Eldridge tocar que aparece nesse disco teve seu papel na formação do bebop. Entre as músicas elegidas para o álbum, a segunda faixa “Royal Garden Blues” merece atenção, pois é um bom exemplo do modo com que a banda de Eldridge toca, se comparada com a versão de Benny Goodman: em vários momentos, a faixa abre espaço para a introdução de outros temas que depois retornam à melodia. Um desses temas, lá pro terceiro minuto da música, também é utilizado por Gillespie logo no começo de “Disorder at the border” (canção que, por sua vez, é da autoria de Coleman Hawkins, uma das influências de Roy Eldridge). Swing Goes Dixie traz ainda “Struttin’ With Some Barbecue”, de Louis Armstrong, e a clássica “(What Did I Do To Be So) Black And Blue”, de Fats Waller.
Swing Goes Dixie:
1. That’s a-Plenty (5:38)
2. Royal Garden Blues (6:19)
3. The Jazz Me Blues (4:44)
4. Tin Roof Blues (7:34)
5. Struttin’ With Some Barbecue (5:34)
6. (What Did I Do To Be So) Black And Blue (7:42)
7. Bugle Call Rag (5:11)
8. Ja-Da (4:45)
Swing Goes Dixie:
1. That’s a-Plenty (5:38)
2. Royal Garden Blues (6:19)
3. The Jazz Me Blues (4:44)
4. Tin Roof Blues (7:34)
5. Struttin’ With Some Barbecue (5:34)
6. (What Did I Do To Be So) Black And Blue (7:42)
7. Bugle Call Rag (5:11)
8. Ja-Da (4:45)
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