A julgar apelido 'the angry man', Charles Mingus pode não ter o melhor cartão de visitas. Mas se os clichês que rondam a imagem de gênios musicais tem alguma validade, certamente servem à descrição do grande contrabaixista e compositor, que também se arriscava no piano. Nos anos 1950, Mingus começou a formar sua própria banda, além de tocar com Miles Davis, Duke Ellington, entre outros. E, na década seguinte, lançou seu disco mais conhecido, The Black Saint and the Sinner Lady (1963). Tijuana Moods é anterior, com quase todas as faixas compostas por Mingus, exceto Dizzy Moods de Dizzy Gillespie e Flamingo, de Ed Anderson e Theodor Grouya. Apesar das músicas não se voltarem a um mesmo tema, cada faixa circula por uma variedade de situações, e escapam do previsível até o final do álbum. Na segunda faixa, por exemplo, a banda é acompanhada por Ysabel Morel e suas castanholas, enquanto a última música é construída com um longo monólogo de Lonnie Elder. No meio disso tudo, aparecem temas suaves (como em Tijuana Gift Shop) destrinchados pelos músicos, fazendo de Tijuana Moods um álbum surpreendente.
Tijuana Moods:
1. Dizzy Moods (5:53)
2. Ysabel's Table Dance (10:28)
3. Tijuana Gift Shop (3:50)
4. Los Mariachis (The Street Musicians) (10:23)
5. Flamingo (5:36)
6. A Colloquial Dream (10:56)
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Alexis Korner's Blues Incorporated - R&B from the Marquee - 1962
Nos anos 1960 londrinos, um dos inegáveis nomes do blues era o francês Alexis Korner. Depois de se mudar para Londres na Segunda Guerra Mundial, quando ainda era criança, Korner começou a tocar violão e piano, e não passava dos vinte e poucos anos ao entrar para a banda do famoso trombonista Chris Barber. No grupo, conheceu Cyril Davies, um dos precursores da gaita no Reino Unido que canta diversas faixas desse álbum. Bem, o Blues Incorporated nasceu daí, quando Korner e Davies criaram um clube (London Blues and Barrelhouse Club) que abria muitas portas a jovens músicos desconhecidos, principalmente americanos. Depois de já terem gravado juntos, eles formaram a banda de R&B em 1961 com mais quatro músicos, sendo pioneiros desse estilo na região. E o primeiro disco que lançaram é justamente R&B from the Marquee, cujo nome se deve ao Marquee Club de Londres, onde muitas bandas de sucesso já se apresentaram, e onde o Blues Incorporated saltou aos olhos do produtor Jack Good, que os fez assinarem contrato com a Decca Records para a gravação desse álbum. O que resultou disso foi um LP de com doze faixas, que ao ser relançado pela Decca em cd, recebeu como bônus o cover de I'm Built for Comfort, do grande Willie Dixon. Mas essa versão de R&B from the Marquee conta com mais seis faixas extras, de acordo com que a Castle Music decidiu quando remasterizou o disco em 2006. Porém, todas as músicas foram gravadas na mesma época, e trazem ótimas performances de harmônica, violão acústico, e das vozes de Davies, Korner, etc. A banda de Alexis Korner não ultrapassou muitos anos, mas foi importante para o desenvolvimento do Blues no Reino Unido, e esse disco traz um bom recorte dessa época.
R&B from the Marquee:
1. Gotta Move (2:32)
2. Rain is Such a Lonesome Sound (2:54)
3. I Got My Brand On You (3:51)
4. Spooky But Nice (3:02)
5. Keep Your Hands Off (2:33)
6. I Wanna Put a Tiger in Your Tank (2:57)
7. I Got My Mojo Working (3:14)
8. Finkle's Cafe (2:50)
9. Hoochie Coochie (3:07)
10. Down Town (3:03)
11. How Long, How Long, Blues (3:05)
12. I Thought I heard That Train Whistle Blow (2:24)
13. She Fooled Me (bônus) (2:22)
14. I'm Built For Comfort (bônus) (2:24)
15. Hoochie Coochie Man (bônus) (3:39)
16. Night Time is the Right Time (bônus) (4:23)
17. Everything She Needs (bônus) (2:23)
18. Up-Town (bônus) (2:30)
19. Blaydon Races (bônus) (2:20)
R&B from the Marquee:
1. Gotta Move (2:32)
2. Rain is Such a Lonesome Sound (2:54)
3. I Got My Brand On You (3:51)
4. Spooky But Nice (3:02)
5. Keep Your Hands Off (2:33)
6. I Wanna Put a Tiger in Your Tank (2:57)
7. I Got My Mojo Working (3:14)
8. Finkle's Cafe (2:50)
9. Hoochie Coochie (3:07)
10. Down Town (3:03)
11. How Long, How Long, Blues (3:05)
12. I Thought I heard That Train Whistle Blow (2:24)
13. She Fooled Me (bônus) (2:22)
14. I'm Built For Comfort (bônus) (2:24)
15. Hoochie Coochie Man (bônus) (3:39)
16. Night Time is the Right Time (bônus) (4:23)
17. Everything She Needs (bônus) (2:23)
18. Up-Town (bônus) (2:30)
19. Blaydon Races (bônus) (2:20)
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Herbie Hancock - Blow Up Soundtrack - 1966
Quando Herbie Hancock estava a pleno vapor no celebrado Second Great Quintet de Miles Davis, compôs a primeira trilha sonora de sua carreira para o filme de Michelangelo Antonioni, Blow Up (Depois Daquele Beijo). Na época, 1966, o pianista já estava há três anos no quinteto, onde entrou em contato com (futuros) grandes nomes do jazz além de Davis, como Freddie Hubbard, responsável por um dos trompetes presentes nesse álbum. A menção ao grupo do qual Hancock participou durante cinco anos deve-se simplesmente ao quanto o compositor ganhou em termos de liberdade nos acordes ainda pouco utilizados no jazz feito até então. No disco, o que não falta são melodias tão bem construídas quanto executadas, começando com a música de abertura do filme – um pouco à lá Londres dos anos sessenta a despeito dos músicos americanos, tal como era de se esperar do primeiro filme em inglês de Antonioni – e, em faixas curtas no geral, conduzindo o ouvinte por uma trilha agradável e de altíssima qualidade. Blow Up, porém, não fica só em Herbie Hancock, o que por si só já é um bom motivo para acrescentar o álbum a qualquer acervo, mas na faixa catorze conta com The Yardbirds e sua versão para Train Kept A-Rollin', composta por Tiny Bradshaw mais de dez anos antes da intitulada Stroll On que aparece aqui e no final do filme, numa aparição dos Yardbirds em um clube. Destacar faixas em Blow Up talvez nem seja apropriado - nos créditos, tem também a banda Tomorrow - mas não há dúvidas de que a trilha sonora vale a aquisição.
Blow Up Soundtrack:
1. Main Title (Blow Up) (1:35)
2. Verushka (part one) (2:44)
3. Verushka (part two) (2:12)
4. The Naked Camera (3:25)
5. Bring Down The Birds (1:47)
6. Jane's Theme (5:05)
7. Stroll On - The Yardbirds (2:47)
8. The Thief (3:13)
9. The Kiss (4:16)
10. Curiosity (1:31)
11. Thomas Studies Photo (1:13)
12. The Bed (2:37)
13. End Title Blow Up (0:53)
14. Am I Glad To See You - Tomorrow (4:29)
15. Blow Up - Tomorrow (1:54)
Blow Up Soundtrack:
1. Main Title (Blow Up) (1:35)
2. Verushka (part one) (2:44)
3. Verushka (part two) (2:12)
4. The Naked Camera (3:25)
5. Bring Down The Birds (1:47)
6. Jane's Theme (5:05)
7. Stroll On - The Yardbirds (2:47)
8. The Thief (3:13)
9. The Kiss (4:16)
10. Curiosity (1:31)
11. Thomas Studies Photo (1:13)
12. The Bed (2:37)
13. End Title Blow Up (0:53)
14. Am I Glad To See You - Tomorrow (4:29)
15. Blow Up - Tomorrow (1:54)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Sarah Vaughan - Sarah Vaughan at Mister Kelly's - 1957
De 1957 a 1975, o Mister Kelly's foi uma casa de shows em Chicago que recebeu uma série de músicos e grandes cantoras do jazz, como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Numa das noites no clube, Sassy gravou esse disco, muito bem recebido pela crítica da época, que traz vinte canções de compositores variados, de Fats Waller aos irmãos Gershwin. Dividindo com Ella os mais pomposos títulos, a diva entrou na cena musical depois de ganhar um concurso no Apollo Theater e, como prêmio, abrir o show de Lady Ella. Então, se juntou à banda de Billy Eckstine (onde trabalhou com Dizzy Gillespie), mas em 1944 optou pela carreira solo. Nos anos seguintes, Sassy gravou alguns temas de sucesso, como Nature Boy e Tenderly, e não demorou muito até que fosse conhecida como The Divine One, como o apresentador do show no Mister Kelly's anuncia ao público nas explicações iniciais de September in the Rain ("Ladies and gentlemens, you were probably wondering why we have so many microphones on the band stand tonight..."). A alcunha não poderia ser mais adequada. Nesse álbum, Sarah Vaughan canta com a maior naturalidade e soltura possíveis, favorecida pela acertada escolha pelo trio de piano, contrabaixo e percussão que a acompanha (Jimmy Jones, Richard Davis e Roy Haynes, respectivamente). Em algumas faixas, como Willow Weep for Me, ela conversa com a audiência, em breves comentários sobre a gravação em si, ou em How High the Moon, em que ela canta "Ella Fitzgerald sings this song real, real, real crazy", se referindo à famosa interpretação da colega sobre o tema de Morgan Lewis. Mas Sassy nunca se distrai, e entre um detalhe e outro a ser ajustado no show, ela volta a cantar com uma fluidez inacreditável. Por sorte, esses momentos fazem parte do registro, o que coloca os ouvintes de agora nas mesmas cadeiras na frente do palco do Mister Kelly's.
Sarah Vaughan at Mister Kelly's:
1. September in the Rain (3:30)
2. Willow Weep for Me (5:16)
3. Just One of Those Things (3:18)
4. Be Anything (But Be Mine) (4:50)
5. Thou Swell (2:44)
6. Stairway to the Stars (5:06)
7. Honeysuckle Rose (3:39)
8. Just a Gigolo (4:10)
9. How High the Moon (4:27)
10. Dream (3:38)
11. I’m Gonna Sit Right Down (And Write Myself a Letter) (2:30)
12. It’s Got to Be Love (5:13)
13. Alone (2:29)
14. If This Isn’t Love (2:25)
15. Embraceable You (2:47)
16. Lucky in Love (2:10)
17. Dancing in the Dark (3:36)
18. Poor Butterfly (4:45)
19. Sometimes I’m Happy (2:00)
20. I Cover the Waterfront (4:07)
Sarah Vaughan at Mister Kelly's:
1. September in the Rain (3:30)
2. Willow Weep for Me (5:16)
3. Just One of Those Things (3:18)
4. Be Anything (But Be Mine) (4:50)
5. Thou Swell (2:44)
6. Stairway to the Stars (5:06)
7. Honeysuckle Rose (3:39)
8. Just a Gigolo (4:10)
9. How High the Moon (4:27)
10. Dream (3:38)
11. I’m Gonna Sit Right Down (And Write Myself a Letter) (2:30)
12. It’s Got to Be Love (5:13)
13. Alone (2:29)
14. If This Isn’t Love (2:25)
15. Embraceable You (2:47)
16. Lucky in Love (2:10)
17. Dancing in the Dark (3:36)
18. Poor Butterfly (4:45)
19. Sometimes I’m Happy (2:00)
20. I Cover the Waterfront (4:07)
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Dizzy Gillespie - An Electrifying Evening with the Dizzy Gillespie Quintet - 1961
Eis mais um disco incrível de Gillespie, anterior a Sweet Soul, An Electrifying Evening with the Dizzy Gillespie Quintet foi gravado ao vivo no Musem of Modern Art de Nova Iorque no início dos anos 1960, e o tal do quinteto do trompetista é formado pelos músicos Lalo Schifrin, Leo Wright, Bob Cunningham e Chuck Lampkin. Com apenas quatro músicas, o disco é marcado pelas longas improvisações sobre as melodias, o que acrescenta vários minutos aos temas conhecidos de Gillespie, como “Salt Peanuts” e “A Night in Tunisia” - compostas em 1942, ambas ganham qualidades completamente diferentes nesse disco. Mas o que começa An Electrifying Evening é “Kush”, com uma abertura de bateria (Lampkin), piano (Schifrin) e flauta (Wright), seguidos pelo baixista Cunningham que introduz os instrumentos. A melodia só começa mesmo com Dizzy, que conversa depois com o sax de Wright. "Kush" (o nome de um antigo reino no Sudão) é uma daquelas músicas para ser ouvida do começo ao fim, o que parece ser a regra geral do disco. Depois das três composições de Dizzy, vem "The Mooche", de Duke Ellington, que aqui parece abrir portas para mais uma experiência totalmente nova com velhos temas. E para fechar o disco, um dos melhores de Gillespie, há uma entrevista com o músico também realizada no palco do MoMA.
An Electrifying Evening with the Dizzy Gillespie Quintet:
1. Kush (11:00)
2. Salt Peanuts (7:07)
3. A Night in Tunisia (6:46)
4. The Mooche (11:43)
5. Interview with Dizzy Gillespie by Charles Schwartz (18:02)
An Electrifying Evening with the Dizzy Gillespie Quintet:
1. Kush (11:00)
2. Salt Peanuts (7:07)
3. A Night in Tunisia (6:46)
4. The Mooche (11:43)
5. Interview with Dizzy Gillespie by Charles Schwartz (18:02)
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Dizzy Gillespie - Sweet Soul (live) - 1969
Criado em um meio musical e com instrumentos a sua disposição, Dizzy Gillespie não demorou para aprender a tocar piano, trombone e finalmente trompete. O músico nasceu na Carolina do Sul, Estados Unidos, no final da década de 1910, e em contato com orquestras e bandas das quais participou, Dizzy tornou-se um dos maiores nomes do bebop. Um desses grupos foi o de Cab Calloway, parceria que produziu uma de suas primeiras músicas, Pickin' the Cabbage - que talvez tenha sido o melhor proveito da relação, já que os músicos estavam em pé de guerra quando se separaram. Depois de Calloway, Dizzy ainda trabalharia compondo para o clarinetista Woody Herman, e tocaria com a orquestra de Ella Fitzgerald. O bebop, na época, não era visto com bons olhos, mas as composições de Gillespie davam sinais de sua inventividade e da influência dos ritmos afro-cubanos - e para acompanhá-lo no desenvolvimento do estilo, havia também o saxofonista Charlie Parker. Mas Sweet Soul é de uma fase posterior, no final dos anos 1960, quando a fama de Dizzy já estava consolidada e o músico já havia inclusive se lançado à candidatura presidencial dos EUA, alertando os americanos que The Blues House seria um nome muito melhor para a Casa Branca. Sobre o disco da vez, porém, as informações são escassas. Há lugares que afirmam que Sweet Soul é uma versão de outro álbum (Soul & Salvation, de mesma data) com aplausos falsos adicionados, o que acaba com a alcunha "live" mostrada na capa, mas não há confirmação oficial sobre esses dados. Com ou sem ovações, o caso é que Sweet Soul é um disco excelente, regado de funk, improvisação e um coral feminino ao fundo em algumas faixas (com destaque para Rutabaga Pie, que encerra o álbum). E embora os créditos das composições não se voltem para Gillespie (Azure Blue, por exemplo, é de Edward Bland), a performance da banda é imperdível.
Sweet Soul (live):
1. Slew Foot (5:00)
2. Soul Mama (3:44)
3. Azure Blue (4:36)
4. Sweet Stuff (4:18)
5. Dirty Dude (4:14)
6. Party Man (3:37)
7. Get to That (3:02)
8. Soul Time (2:58)
9. Gettin’ Down (4:56)
10. Rutabaga Pie (3:17)
Sweet Soul (live):
1. Slew Foot (5:00)
2. Soul Mama (3:44)
3. Azure Blue (4:36)
4. Sweet Stuff (4:18)
5. Dirty Dude (4:14)
6. Party Man (3:37)
7. Get to That (3:02)
8. Soul Time (2:58)
9. Gettin’ Down (4:56)
10. Rutabaga Pie (3:17)
Miles Davis - E. S. P. - 1965
Como mencionado na introdução do blog, ali do lado esquerdo, esse é o álbum de Miles Davis (ou melhor, de seu segundo quinteto, que não está creditado na capa) em que aparece pela primeira vez a faixa Eighty-One, composta por Miles e por Ron Carter - além dos dois, Herbie Hancock, Wayne Shorter e Tony Williams compunham o Second Great Quintet que comanda E.S.P. O grupo, que durou de 1964 até 1968, desenvolveu uma linha que se distanciava do bebop, o que é mostrado nesse disco. Nessa fase, Miles Davis já havia passado por outras influências e conhecido outros músicos importantes, como Charlie Parker e Dizzy Gillespie, com quem tocou na banda de Billy Eckstine. Até a metade da década seguinte, Miles se envolveria com o bebop, deixando o estilo de lado para priorizar o freebop, ou "time no changes" - nas apresentações do quinteto, por exemplo, as músicas se encadeavam umas nas outras, e a mudança de melodia era o que dava o sinal de troca de faixa. Em E.S.P., as músicas, em geral de longa duração, se sucedem de maneira semelhante, o que faz do disco uma sequência a ser ouvida por inteiro. Depois que o Second Great Quintet se desfez, Miles Davis enveredou para os lados de James Brown e acrescentou traços de funk e acid-rock a sua produção. Quanto aos outros membros, se tornaram figuras conhecidas do jazz.
E. S. P.:
1. E.S.P (5:31)
2. Eighty-One (6:17)
3. Little One (7:21)
4. R.J. (3:57)
5. Agitation (7:48)
6. Iris (8:33)
7. Mood (8:49)
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