De 1957 a 1975, o Mister Kelly's foi uma casa de shows em Chicago que recebeu uma série de músicos e grandes cantoras do jazz, como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Numa das noites no clube, Sassy gravou esse disco, muito bem recebido pela crítica da época, que traz vinte canções de compositores variados, de Fats Waller aos irmãos Gershwin. Dividindo com Ella os mais pomposos títulos, a diva entrou na cena musical depois de ganhar um concurso no Apollo Theater e, como prêmio, abrir o show de Lady Ella. Então, se juntou à banda de Billy Eckstine (onde trabalhou com Dizzy Gillespie), mas em 1944 optou pela carreira solo. Nos anos seguintes, Sassy gravou alguns temas de sucesso, como Nature Boy e Tenderly, e não demorou muito até que fosse conhecida como The Divine One, como o apresentador do show no Mister Kelly's anuncia ao público nas explicações iniciais de September in the Rain ("Ladies and gentlemens, you were probably wondering why we have so many microphones on the band stand tonight..."). A alcunha não poderia ser mais adequada. Nesse álbum, Sarah Vaughan canta com a maior naturalidade e soltura possíveis, favorecida pela acertada escolha pelo trio de piano, contrabaixo e percussão que a acompanha (Jimmy Jones, Richard Davis e Roy Haynes, respectivamente). Em algumas faixas, como Willow Weep for Me, ela conversa com a audiência, em breves comentários sobre a gravação em si, ou em How High the Moon, em que ela canta "Ella Fitzgerald sings this song real, real, real crazy", se referindo à famosa interpretação da colega sobre o tema de Morgan Lewis. Mas Sassy nunca se distrai, e entre um detalhe e outro a ser ajustado no show, ela volta a cantar com uma fluidez inacreditável. Por sorte, esses momentos fazem parte do registro, o que coloca os ouvintes de agora nas mesmas cadeiras na frente do palco do Mister Kelly's.
Sarah Vaughan at Mister Kelly's:
1. September in the Rain (3:30)
2. Willow Weep for Me (5:16)
3. Just One of Those Things (3:18)
4. Be Anything (But Be Mine) (4:50)
5. Thou Swell (2:44)
6. Stairway to the Stars (5:06)
7. Honeysuckle Rose (3:39)
8. Just a Gigolo (4:10)
9. How High the Moon (4:27)
10. Dream (3:38)
11. I’m Gonna Sit Right Down (And Write Myself a Letter) (2:30)
12. It’s Got to Be Love (5:13)
13. Alone (2:29)
14. If This Isn’t Love (2:25)
15. Embraceable You (2:47)
16. Lucky in Love (2:10)
17. Dancing in the Dark (3:36)
18. Poor Butterfly (4:45)
19. Sometimes I’m Happy (2:00)
20. I Cover the Waterfront (4:07)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Moacir Santos - Ouro Negro - 2001
"A benção maestro Moacir Santos, que não és um só, és tantos, tantos como o meu Brasil de todos os santos", já dizia Vinicius de Moraes em seu Samba da Benção, em homenagem a um dos maiores compositores do país, que apesar da grandeza não compartilhou da mesma popularidade que o poeta diplomata. Moacir Santos nasceu em Serra Talhada, Pernambuco, e morreu aos oitenta anos em 2006, deixando composições primorosas e muitos discos gravados nos Estados Unidos, pela Blue Note. Mas a ironia é facilmente explicada pela regra geral de excelentes músicos que encontram mais espaço em terras estrangeiras do que no Brasil, o que para Moacir começou nos anos 1970. Por aqui, lançou o primeiro álbum entitulado Coisas, do qual saíram alguns de seus temas mais conhecidos (como a primeira faixa desse disco, Coisa nº 5 ou Nanã). Esse projeto reúne as principais músicas da carreira de Moacir em dois discos, produzidos por Mario Adnet e Zé Nogueira, e os arranjos são bastante fiéis aos do maestro, que participa de várias faixas. Além do homenageado, há outros convidados como Milton Nascimento e Gilberto Gil. Para os paulistanos, vale ficar atento à banda Projeto Coisa Fina, do Movimento Elefantes, que costuma interpretar o compositor.
Ouro Negro:
Disco 1:
1. Coisa nº 5 - Nanã (2:55)
2. Suk-cha (4:10)
3. Coisa nº 6 (4:03)
4. Coisa nº 8 - Navegação (com Milton Nascimento) (4:14)
5. Amphibious (3:18)
6. Mãe Iracema (5:01)
7. Coisa nº 1 (3:52)
8. Sou Eu [Luanne] (com Djavan) (3:01)
9. Bluishmen (4:21)
10. Kathy (3:32)
11. Kamba (4:59)
12. Coisa nº 9 (3:28)
13. Orfeu [Quiet Carnival] (com Ed Motta) (5:52)
14. Amalgamation (6:26)
Disco 2:
1. Coisa nº 7 [Evocative] (4:21)
2. Coisa nº 2 (5:15)
3. Lamento Astral [Astral Whine] (4:09)
4. Maracatu, Nação do Amor [April Child] (com Gilberto Gil) (4:06)
5. Coisa nº 4 (4:07)
6. Coisa nº 10 (3:03)
7. Jequié (3:18)
8. Oduduá [What´s My Name] (com João Bosco) (3:13)
9. Coisa nº 3 (3:01)
10. Anon (4:00)
11. Quermesse (3:19)
12. De Repente, Estou Feliz [Happily Happy] (3:06)
13. Maracatucutê (6:15)
14. Bodas de Prata Dourada (4:57)
Ouro Negro:
Disco 1:
1. Coisa nº 5 - Nanã (2:55)
2. Suk-cha (4:10)
3. Coisa nº 6 (4:03)
4. Coisa nº 8 - Navegação (com Milton Nascimento) (4:14)
5. Amphibious (3:18)
6. Mãe Iracema (5:01)
7. Coisa nº 1 (3:52)
8. Sou Eu [Luanne] (com Djavan) (3:01)
9. Bluishmen (4:21)
10. Kathy (3:32)
11. Kamba (4:59)
12. Coisa nº 9 (3:28)
13. Orfeu [Quiet Carnival] (com Ed Motta) (5:52)
14. Amalgamation (6:26)
Disco 2:
1. Coisa nº 7 [Evocative] (4:21)
2. Coisa nº 2 (5:15)
3. Lamento Astral [Astral Whine] (4:09)
4. Maracatu, Nação do Amor [April Child] (com Gilberto Gil) (4:06)
5. Coisa nº 4 (4:07)
6. Coisa nº 10 (3:03)
7. Jequié (3:18)
8. Oduduá [What´s My Name] (com João Bosco) (3:13)
9. Coisa nº 3 (3:01)
10. Anon (4:00)
11. Quermesse (3:19)
12. De Repente, Estou Feliz [Happily Happy] (3:06)
13. Maracatucutê (6:15)
14. Bodas de Prata Dourada (4:57)
Miles Davis - Porgy & Bess - 1958
Mais ou menos na mesma época em que Ella Fitzgerald e Louis Armstrong interpretaram Porgy & Bess (veja o post com esse álbum aqui) e a ópera foi para o cinema, também Miles Davis bebeu das canções dos irmãos Gershwin, produzindo um disco imprescindível para qualquer acervo. Nesse período, Miles explorava improvisações modais - diferentes do que era feito no bebop, em que havia uma grande quantidade de acordes. E o responsável pelos arranjos que se valeram das composições modais nesse Porgy & Bess é Gil Evans, em seu segundo trabalho com Miles, logo depois de Miles Ahead. Apesar dos temas serem os mesmos, é notável o contraste entre as gravações do trompetista e da dupla Ella e Louis: dispensando o caráter mais teatral trazido pela primeira dama do jazz e seu parceiro (e também pela grande orquestra que os acompanha), a versão de Miles e Evans tem a simplicidade suficiente para tirar o fôlego dos ouvintes - talvez o melhor exemplo seja Summertime, que já começa com o trompete tocando a melodia, sem introduções ou floreios. Mas descrever as particularidades de Miles é tarefa ingrata, não há o que prepare a experiência de ouvir Porgy & Bess.
Porgy & Bess:
1. The Buzzard Song (4:06)
2. Bess, You Is My Woman Now (5:11)
3. Gone (3:39)
4. Gone, Gone, Gone (2:03)
5. Summertime (3:19)
6. Bess, Oh Where's My Bess? (4:28)
7. Prayer (Oh Doctor Jesus) (4:40)
8. Fisherman, Strawberry and Devil Crab (4:06)
9. My Man's Gone Now (6:13)
10. It Ain't Necessarily So (4:23)
11. Here Comes De Honey Man (1:12)
12. There's a Boat That's Leaving Soon for New York (3:23)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Hypnotic Brass Ensemble - The Heritage EP - 2010
Esse é o trabalho mais recente do Hypnotic Brass Ensemble, citado no post anterior, que conta com cinco músicas reunidas em disco de vinil. Gravadas no final do ano retrasado em um estúdio na Irlanda, as músicas mostram os herdeiros de Phil Cohran interpretando artistas que inspiraram o som da banda - na ordem das faixas, Jay-Z, Art of Noise, Outkast, Madvillain (a dupla de hip hop Madlib e MF Doom) e Fela Kuti. O nome das faixas na produção da banda aparece com sutis diferenças em relação aos originais, como na versão de Spottie, que foi gravado pelo Outkast como Spottieottiedopalicious. Mas a mudança é oportuna para a proposta do disco, uma vez que apenas sugere quais músicas serão interpretadas, dando margem à nova leitura feita pelo Hypnotic Brass Ensemble. De fato, o grupo não deixa suas próprias características de lado, o que faz do EP um trabalho muito bem sucedido. Tal qual o título indica, a banda apresenta o que herdou em sua formação musical, mas principalmente, para onde levou todas as influências.
The Heritage EP:
1. Prelude (Jay-Z cover) (2:46)
2. Moments (Art of Noise cover) (4:28)
3. Spottie (Outkast cover) (4:10)
4. Rainbows (Madvillain cover) (4:58)
5. Water (Fela Kuti cover) (5:33)
The Heritage EP:
1. Prelude (Jay-Z cover) (2:46)
2. Moments (Art of Noise cover) (4:28)
3. Spottie (Outkast cover) (4:10)
4. Rainbows (Madvillain cover) (4:58)
5. Water (Fela Kuti cover) (5:33)
segunda-feira, 28 de março de 2011
Hypnotic Brass Ensemble - Flipside (Hypnotic Orange) - 2004
O Hypnotic Brass Ensemble é um octeto de metais e bateria formado por uma família americana de músicos extremamente talentosos. Desde o primeiro álbum Flipside (mais conhecido como Hypnotic Orange), de 2004, já foram lançados dez discos da banda, a metade com selo independente, e quase todas as músicas foram compostas pelos irmãos do HBE - exceto, nesse caso, pela sétima faixa Caravan, de Juan Tizol. Mas antes de gravar Hypnotic Orange, os músicos já tocavam desde jovens, pois além do parentesco entre si, os membros da banda são herdeiros do jazzista Phil Cohran, que por sua vez participou da banda de Sun Ra no início dos anos cinquenta. Assim, os metais Smoov, Baji, Hudah, L.T., Yoshi, Rocco, Clef e Cid começaram a tocar informalmente em Chicago antes das gravações, junto com o baterista Manuels (ou eventualmente com Nutheads no trombone e 360 na bateria), logo nos anos noventa. E daí surgiu o nome da banda, em uma dessas apresentações, quando um homem que os assistia confessou ficar hipnotizado pelo som da família prodígio. Depois do lançamento dos discos, o público do HBE conseguiu mais fãs hipnotizados e hoje fazem bastante sucesso além das fronteiras americanas, como comprova a vasta produção em tão pouco tempo - o último trabalho é de 2010 (o EP Heritage), e traz interpretações dos músicos que os influenciaram.
Flipside (Hypnotic Orange):
1. Satty (4:25)
2. She (2:59)
3. Frankie Mae (3:11)
4. Loudmouth (2:34)
5. Flipside (5:16)
6. 1347 (3:43)
7. Caravan (2:15)
8. Reggae (4:06)
9. Todd (In Memory Of) (2:12)
Flipside (Hypnotic Orange):
1. Satty (4:25)
2. She (2:59)
3. Frankie Mae (3:11)
4. Loudmouth (2:34)
5. Flipside (5:16)
6. 1347 (3:43)
7. Caravan (2:15)
8. Reggae (4:06)
9. Todd (In Memory Of) (2:12)
sábado, 26 de março de 2011
Ornette Coleman - Tomorrow Is the Question! - 1959
Há pouco tempo atrás, o gramofone dourado do Grammy Awards foi para a mão de um dos músicos americanos mais geniais e de reconhecimento tardio do jazz. Ornette Coleman, que se apresentou em São Paulo no ano passado, não estava entre as preferências do público quando lançou seus primeiros discos, no final da década de 1950. Mas foi a partir do lançamento de seu álbum Free Jazz: A Collective Improvisation (1960) que o termo homônimo passou a classificar uma nova vertente do jazz, relacionada às inovações do saxofonista, por vezes chamadas de "não ortodoxas". O tratamento cheio de dedos para descrever Ornette não é à toa: comparado ao bebop, o improviso e a liberdade do músico pareciam não ter precedentes, e ele foi bastaste criticado durante a carreira. Em Tomorrow Is the Question!, por exemplo, Ornette colocou o piano de lado e tocou apenas com o trompetista Don Cherry, o baterista Shelly Manne e os baixistas Red Mitchell e Percy Heath. Era o segundo álbum, logo depois de Something Else!!!!: The Music of Ornette Coleman, e todas as faixas foram compostas por ele - assim como aconteceu ao longo dos anos, com pouquíssimas exceções. Também por esse motivo a alcunha free jazz o incomodou: havia uma boa dose de composição por trás das músicas, ao contrário do que o termo sugere de pronto. Ornette procurava um som que viesse de dentro dele, como argumenta Shelly Manne: "He sounds like a person crying... or a person laughing... when he plays" (retirado de texto na capa do disco, por Nat Hentoff), como acontece em Tears Inside, que para Ornette é uma espécie de sentimento que a expressão humana não daria conta, ou Rejoicing, cujo título se deve à satisfação dos músicos ao tocá-la. Há outros títulos significativos, como Lorraine que homenageia a pianista Lorraine Geller, recém falecida na época, e Turnaround ("because the blues is a change of feeling which goes from one thing to another"). Do mesmo modo, nada poderia dizer mais sobre o disco do que o título Tomorrow Is the Question!, pela inegável preocupação de Ornette com o desenvolvimento de sua música, e a partir daí seu trabalho ficou cada vez melhor.
Tomorrow Is the Question!:
1. Tomorrow Is the Question! (3:12)
2. Tears Inside (5:03)
3. Mind and Time (3:10)
4. Compassion (4:39)
5. Giggin (3:21)
6. Rejoicing (4:03)
7. Lorraine (5:57)
8. Turnaround (7:57)
9. Endless (5:19)
Tomorrow Is the Question!:
1. Tomorrow Is the Question! (3:12)
2. Tears Inside (5:03)
3. Mind and Time (3:10)
4. Compassion (4:39)
5. Giggin (3:21)
6. Rejoicing (4:03)
7. Lorraine (5:57)
8. Turnaround (7:57)
9. Endless (5:19)
quinta-feira, 17 de março de 2011
Chet Baker - My Funny Valentine - 1954
Apesar do quarteto com Gerry Mulligan não ter durado muito, foi com essa banda que Chet Baker, então com vinte e poucos anos, tocou pela primeira vez a famosa canção de Richard Rogers e Lorenz Hart, My Funny Valentine. A composição é de 1937, e além de ser gravada por Chet nos anos 1950, passou pela voz de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e outros - até hoje, é parte do repertório de muitos músicos. E essa versão de Chet não deixa a desejar: My Funny Valentine abre o disco com o solo melodioso e demorado do trompete, e só depois entra a letra romântica, com um típico discurso americano do eu-lírico apaixonado que parece seguir toda a sequência. Contudo, graças à interpretação de Chet e às músicas escolhidas, o conjunto não cai na armadilha da trilha sonora passiva, limitada a composições ingênuas ou simples, uma vez que o álbum inteiro é pontuado por canções de alta qualidade como Someone To Watch Over Me, dos irmãos Gershwin. Mas como a discografia do trompetista é extensa, as músicas provavelmente foram gravadas em momentos um pouco diferentes, pois nesse começo de carreira Chet tocava com várias formações, como o quarteto de Stan Getz ou a banda em que Charlie Parker participava - e um dos músicos mais presentes nessas bandas é o pianista Russ Freeman. Nos anos seguintes, Chet passou por maus bocados, mas continuou tocando até o acidente duvidoso que causou sua morte (as agruras do trompetista não passaram despercebidas, e renderam um documentário que pegou emprestado o título da nona faixa, Let's Get Lost).
My Funny Valentine:
1. My Funny Valentine (5:16)
2. Someone To Watch Over Me (3:12)
3. Moonlight Becomes You (3:25)
4. This Is Always (3:35)
5. I'm Glad There Is You (3:12)
6. Time After Time (2:43)
7. Sweet Lorraine (3:06)
8. It's Always You (3:34)
9. Let's Get Lost (2:52)
10. Moon Love (3:16)
11. Like Someone In Love (2:25)
12. I've Never Been In Love Before (4:27)
13. Isn't It Romantic? (4:23)
14. I Fall In Love Too Easily (3:19)
My Funny Valentine:
1. My Funny Valentine (5:16)
2. Someone To Watch Over Me (3:12)
3. Moonlight Becomes You (3:25)
4. This Is Always (3:35)
5. I'm Glad There Is You (3:12)
6. Time After Time (2:43)
7. Sweet Lorraine (3:06)
8. It's Always You (3:34)
9. Let's Get Lost (2:52)
10. Moon Love (3:16)
11. Like Someone In Love (2:25)
12. I've Never Been In Love Before (4:27)
13. Isn't It Romantic? (4:23)
14. I Fall In Love Too Easily (3:19)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Tom Waits - Nighthawks at the Diner - 1975
Do título à capa, esse disco ao vivo de Tom Waits é inspirado em uma das pinturas mais conhecidas do artista americano Edward Hopper. A expressão nighthawks que dá título à obra se refere a notívagos, boêmios, ou qualquer outro termo parecido que se assemelhe à figura de Tom Waits desde o começo de sua carreira até hoje. Nos anos 1970, Hopper já havia falecido, e o clima de trinta anos atrás não era o mesmo nas lanchonetes e cafés, mas foi reconstruído por Tom numa espécie de show em estúdio que constitui esse disco. Assim, os ouvintes têm a impressão de participar de uma apresentação intimista, principalmente pelas faixas 'intro', em que o cantor conversa com o público, muitas vezes trazendo histórias bem humoradas que se relacionam à narrativa das canções (como a introdução para "Better off Without a Wife"). Mais do que contar peripécias, a voz rouca de Tom acrescenta ao ouvinte uma proximidade com as músicas e com o próprio show, e pular as introduções do cantor dissolve o encadeamento que elas provocam: como a banda continua tocando durante as falas, é desnecessário separá-las das canções propriamente ditas. No caso de Better off Without a Wife, a letra ganha outra leitura com o causo contado anteriormente por Tom, sobre as maneiras de "sair consigo mesmo", o que é endossado pelas desvantagens do casamento que a música coloca. Nighthawks at the Diner é, ao fim e ao cabo, um disco mais voltado para o blues e para o ambiente de casas noturnas, que aparece também em seu trabalho de 1974, The Heart of Saturday Night. O que significa que alguns nomes como Captain Beefheart e Jim Jarmusch ainda não eram familiares a Tom e a inventividade que apareceria em Frank's Wild Years, Bone Machine, etc., estava no começo. De uma maneira ou de outra, esse é um excelente álbum para ouvir Tom Waits pela primeira vez - e continuar ouvindo depois de passar por todos os seus discos seguintes.
Nighthawks at the Diner:
1. Opening Intro (2:57)
2. Emotional Weather Report (3:47)
3. Intro (2:16)
4. On A Foggy Night (3:48)
5. Intro (1:53)
6. Eggs And Sausage (In A Cadillac with Susan Michelson) (4:19)
7. Intro (3:03)
8. Better off Without a Wife (3:59)
9. Nighthawk Postcards (from Easy Street) (11:29)
10. Intro (0:56)
11. Warm Beer And Cold Women (5:21)
12. Intro (0:47)
13. Putnam County (7:35)
14. Spare Parts I (A Nocturnal Emission) (6:25)
15. Nobody (2:50)
16. Intro (0:41)
17. Big Joe And Phantom 309 (6:29)
18. Spare Parts II And Closing (5:13)
Chet Baker - Chet Baker Plays The Best of Lerner & Loewe - 1959
A partir dos anos 1940, Alan Jay Lerner e Fritz Loewe compuseram bem sucedidos musicais da Broadway, o que rendeu a algumas canções a atenção de artistas como Nat King Cole, Ella Fitzgerald e o músico da vez, Chet Baker. Na época em que o disco em homenagem a Lerner e Loewe foi lançado, o trompetista americano já tinha seu espaço no meio musical garantido e todos os dentes no lugar (o que não durou até meados dos anos 1960, quando Chet se envolveu em um infeliz episódio que lhe custou o uso de dentaduras). Mas em 1959 a temporada de prisões por causa de drogas ainda estava no início, e Chet já tinha sido apresentado a Charlie Parker, a Hollywood e ao Quarteto de Gerry Mulligan, embora nesse disco conte com outros parceiros, como Bill Evans. Isso porque, desde a prisão de Mulligan, Chet formou diversos grupos, não só tocando trompete mas também cantando. No entanto, nessa seleção - oriundas de My Fair Lady, Brigadoon, entre outras peças - Chet privilegia o trompete, e as interpretações são de primeira linha: ao contrário de My Funny Valentine, um de seus maiores sucessos, não há nesse disco a voz inconfundível de Chet Baker para letras românticas, mas ainda assim as músicas de Lerner e Loewe carregam certa dramaticidade. Entre elas, The Heather On The Hill se destaca, pela delicadeza da melodia conduzida por Chet.
Chet Baker Plays The Best of Lerner & Loewe:
1. I've Grown Accustomed To Your Face (4:13)
2. I Could Have Danced All Night (3:39)
3. The Heather On The Hill (5:03)
4. On The Street Where You Live (8:35)
5. Almost Like Being In Love (4:50)
6. Thank Heaven For Little Girls (4:33)
7. I Talk To The Trees (5:49)
8. Show Me (6:29)
Chet Baker Plays The Best of Lerner & Loewe:
1. I've Grown Accustomed To Your Face (4:13)
2. I Could Have Danced All Night (3:39)
3. The Heather On The Hill (5:03)
4. On The Street Where You Live (8:35)
5. Almost Like Being In Love (4:50)
6. Thank Heaven For Little Girls (4:33)
7. I Talk To The Trees (5:49)
8. Show Me (6:29)
sábado, 22 de janeiro de 2011
Les & Larry Elgart - Best of Big Bands - 1989
Apostar em coletâneas de artistas é uma tarefa complicada: poucas informações, músicas de épocas diferentes, ordem descuidada das faixas e etc. reforçam o pé atrás que acompanha discos começados com “Best of”, “The greatest hits of” e companhia. Mesmo assim, recorrer às velhas coleções de artistas às vezes é uma saída quando os músicos procurados se escondem em LPs raros ou produções difíceis de encontrar. E tanto para empecilhos como esse quanto para marinheiros de primeira viagem, um “Best of” pode ser um bom quebra-galho. Com Les & Larry Elgart, pelo menos, é isso que acontece (outro disco da dupla encontrado recentemente será postado aqui, mas com certeza não estará entre os melhores do acervo). A parceria dos irmãos Elgart começou nos anos 1950 com o disco Impressions of Outer Space e, paralelamente aos trabalhos individuais dos dois, continuou até o final da década seguinte – cada vez mais pop, por assim dizer. Mas as músicas daqui, atentas ao título da coletânea, são as interpretações de melodias conhecidas como “Mood Indigo”, de Duke Ellington, e “Blues in the Night”, de Johnny Mercer. No entanto, como os Elgart são posteriores à época de ouro das big bands, o tipo de som feito por Les e Larry se diferencia das gravações originais das músicas que fazem seu repertório. Uma dessas é a décima terceira faixa “Caravan”, de Juan Tizol, que não deixa a guitarra elétrica de fora do arranjo. Talvez tenha sido essa atenção a elementos modernos que tornou os discos da dupla vendáveis e colocou uma de suas músicas como tema de programa de televisão (American Bandstand), mas de qualquer maneira, vale a pena ouvir as interpretações da big band dos anos 1950-1960.
Best of Big Bands:
1. Skyliner (2:15)
2. Mood Indigo (2:42)
3. Song of India (2:37)
4. So Rare (2:52)
5. Woodchopper’s Ball (1:40)
6. Sentimental Journey (2:26)
7. Blues in the Night (2:47)
8. You Made Me Love You (I Didn’t Want To Do It) (2:29)
9. My Heart Belongs To Daddy (1:59)
10. Tuxedo Junction (2:48)
11. Jersey Bounce (2:39)
12. One O’Clock Jump (2:13)
13. Caravan (2:12)
14. A String of Pearls (3:09)
15. Little Brown Jug (2:15)
16. Green Eyes (2:29)
17. The Continental (You Kiss While You’re Dancing) (2:24)
18. Cherokee (2:01)
19. And the Angels Sing (2:33)
20. Poinciana (2:22)
1. Skyliner (2:15)
2. Mood Indigo (2:42)
3. Song of India (2:37)
4. So Rare (2:52)
5. Woodchopper’s Ball (1:40)
6. Sentimental Journey (2:26)
7. Blues in the Night (2:47)
8. You Made Me Love You (I Didn’t Want To Do It) (2:29)
9. My Heart Belongs To Daddy (1:59)
10. Tuxedo Junction (2:48)
11. Jersey Bounce (2:39)
12. One O’Clock Jump (2:13)
13. Caravan (2:12)
14. A String of Pearls (3:09)
15. Little Brown Jug (2:15)
16. Green Eyes (2:29)
17. The Continental (You Kiss While You’re Dancing) (2:24)
18. Cherokee (2:01)
19. And the Angels Sing (2:33)
20. Poinciana (2:22)
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